“Pelas regiões por onde passa. A palavra de ifa não é maior do que a de santo. Cabe a nós de orixá a nos valorizar e dar maior valor a Santo e não a Ifá, Oriaté Cícero”.
“Podemos aprender com Ifá o que o orixá já nos mostrou, Ifá apenas está nos relembrando o que devemos fazer. Oriaté Jadir do Omolu”.
Meus irmãos e minhas irmãs dentro do culto afro, que envolve Egun, orixá e Ifá. Não podemos pensar num separadamente do outro. Pois um é a partida para outro que faz um círculo.
“Não devemos ter no candomblé o achismo, temos que constatar. Alagbá Rian, Awofakan Oworinkara”.
Eu aprendi que Ifá, vai andando pela terra aprendendo e ensinado ao mesmo tempo. E nessa simbiose vai se adaptando ao ambiente que tem e a sociedade e acima de tudo a época.
Então o que é certo num lugar é completamente errado no outro. E assim é nas casas de santo e lesse-egun. Aí precisamos ter o respeito e a tolerância. Pois não somos donos da verdade e nem Ifá é. Pois ela repousa unicamente em Olódùmarè.
Diante da disporá africana, tudo aqui na nova terra precisou ser adaptado. Por exemplo; Omolu nunca viu pipoca na África, pois é das amarecas. Oxalá menos ainda a canjica e o acaçá. Oyá com acarajé de feijão fradinho. Oxum com omolocum. Axoxo.
Prato e caneca de ágata, nunca teve na África antiga, menos ainda iba de porcelana para yiabas. Saias rodadas. A roupa Richelieu. Exu com pade de farinha de mandioca, nunca na África. Aguardente para Exu, essa não mesmo. E aí vão outras coisas. Mas o azeite de oliva tinha.
Posso contar que a primeira adivinhação de Ifá em Cuba foi com casca de laranja. Então tudo vai se adaptando ao contesto social e geográfico. E a cultura que não se adaptar vai sucumbir, o mesmo com as espécies que não se adaptaram ao clima, deixaram de existir.
E de conhecimento que em alguns lugares da África cada orixá tem o seu meio oracular sendo plenamente dispensável o de Ifá.
Ifá ou orixá qual o mais importante? E como se perguntar o conhecimento ou a vida. O que é o conhecimento sem a vida? Não terá que o use. O conhecimento de Ifá não é propriedade de uma pessoa ou grupo de pessoas. Ele é de todos e para todos.
Eu sou Alexandre de Exu, Oba e Isefá de Ifá, mas sou Alufá de Egungun e Babalorixá de Orixá. E chamo a todos para a união e o equilíbrio. As apetebis e Iyanifas, os awofakans e Isefás, os babalawos e babalorixás com as iyalorixás, Odjês e Alagbás.
Obrigados as senhoras de Ifá, Onirasola, Aninha de Iemanjá Iracema, Lucia Helena de Aganjú. E em especial a Oyekubika, agbonã Omidegi, a Leila de Iemanjá.
Embora achemos que a Umbanda nada tenha a ver com esse contesto, digo aos irmãos que vários odus de Ifá tem passagens que podemos ver incluída a Umbanda.
Podemos ver a natureza ela tem um frágil equilíbrio, mas se esse equilíbrio se perde tudo de ruim acontece. As mulheres de Ifá, acima de tudo tem o dever de buscar esse entendimento das pessoas através da conversa e da concórdia. A fala do odu que tem a iniciação das mulheres, diz que para aja a concórdia foi dada a mulher o silencio absoluto. Onde apenas com olhar ela dirá.
Santeria e Regra de Ocha em Cuba, ou mesmo Lukumi, Vodoo no Haiti, Batuque e Candomblé, Omolocô e Terecô no Brasil. O respeito aos irmãos. Temos a mesma origem. O solo africano, onde nossos ancestrais a milhares de anos andava pelas suas planícies.