ARIAXÉ

Assim como as borboletas, antes de experimentar voos que tem sabor de liberdade, antes de ter asas bonitas e coloridas pode haver períodos longos de espera. 

Eu sou o Bàbá, Oba e Itefá Alexandre de Exu e atendo com jogo por orixá e Ifá. Vamos falar sobre ARIAXÉ. o assunto de hoje é uma homenagem aos KAROS; Beto de Exu, Abel de Oxumare e ao grande Ney de Xangô.

Esse período de compras que os futuros ìyáwós estão é chamado de karo. E vai até a Agbonã pedir que lhe sejam dada a graças do orixá. E que tomem o primeiro banho de erva.

Apetebi Oyekubika, Agbonã Omidegi a nossa Leila de Iemanjá. A ìyánifá Ifákákèyéé. ILÚ ASÉ ELEEGBARA TOLÁ, a casa da religiosidade ioruba.

O Ariaxé da cultura iorubá, corresponde ao chamamos de ronco de outras nações. Mas é um momento que se faz uma reflexão do que se passou na vida e o que vem para o futuro.

O Ariaxé é o útero, dai sua ligação sempre com uma mulher que já tenha tido filho. Podendo ser de orixá masculino ou feminino. O titulo desta mulher é AGBONÃ. Deixo bem claro que Agbonã jamais poderá ser homem. Como não existe pai criador.

OJUBONAKAN, é a pessoa do sexo masculino que auxilia no Ariaxé. Ou que age em acordo com a Agbonã.

No Ariaxé é como um casulo, que precisamos ter paciência, pois sem casulo não tem borboleta. Sem casulo não tem evolução. E mesmo que leve tempo, a transformação acontece.  

Ao saímos do Ariaxé, seremos outra pessoa, pois a que éramos morreu lá. E nos Ebós de negatividades, nos Ebós de limpeza.

Quando saímos como as borboletas do casulo é nosso espirito revestido da mais linda espiritualidade que vem resplandecer toda luz do mundo sagrado dos orixás. Após fazermos os Ebós de caminho e prosperidade.

Se nos permitimos rastejar, passar pelo casulo, viver nossos processos, aceitando a lentidão de alguns ciclos, se trabalharmos em nós, se investimos em nossa cura, se nos amarmos o suficiente para buscar a cada dia ser nossa melhor versão, a metamorfose é certa e irreversível.  assim devemos aos ser iniciado ao culto da natureza, que chamamos de CANDOMBLÉ.

Vamos viver nossos processos. Aprender com o período que vamos passar no casulo. Para voar no lindo céu azul. E jamais voltar a rastejar na nossa espiritualidade.