TERREIRO DE EGUN

TERREIRO DE EGUN

O culto de lesse Egun veio da África junto com o de Ifá, Egbé Orun, Egungun e dos Orixás trazidos pelos negros escravizados. É um culto muito fechado, secreto mesmo, mais que o dos orixás, por cultuarem os mortos. Nas casas de Orixás cuidamos dos mortos no Ilê-Iku ou Ilê-Balle. Pois não podemos ficar sem cuidar dos mortos mesmo que de maneira simplória. Alufá Egungun não tem ligação com o culto de Baba-egun.

O Terreiro de Vera Cruz: fundado por volta de 1820 por um africano chamado “Tio Serafim”, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica é tido como o mais antigo ou um dos mais antigos do Brasil. Mais outro Terreiro que iniciou sua caminhada em 27 de setembro de 2010 junta muitos fiéis e admiradores.

É o Ilê Alapasampa é um terreiro de egun, do RJ. Localizado em na Rua Zacarias Góis, Lote 16, Quadra 76, Imbariê- Duque de Caxias/RJ. Essa casa de egun é dirigida pelo Ojé e Alagbá Kelegi ou Rian. Que também é iniciado em Ifá. Que em 2021 está comemorando 20 anos de iniciado no culto de egun e a casa comemora 11 anos de fundação 27/09/2010. Rian é ogan confirmado da casa de Omidarewá.

É uma comemoração importante pois a Leila de Iemanjá ou Ìyá Agbonã Omidegi, iniciada em Ifá e Egbé Orun, está confirmando posto na casa de egun e dando a cadeira e roupa ao Baba de Nanã. Sendo a primeira mulher a confirmar posto na casa.

Meses antes em 27/02/2021 o Baba e oba/Itefá Alexandre de Exu, confirmou posto no terreiro dando a roupa e cadeira de baba de exu.
Muitas coisas boas aconteceram em 2021 no terreiro de Alapasampa,
sendo um dos fundadores.

Existe uma forte união entre o Ilú Asé Eleegbara Tolá e Ilê Asé Alapasampa. Onde o Baba Alexandre de Exu e o Alagbá Kelegi/Rian são livres de bons costumes, e essa fraternidade é mostrada com vários irmãos que também adeptos ou simpatizantes do culto de orixá ou egun estão presente nas atividades. O Asé Eleegbara Tolá fica localizado em Magé/RJ na rua Piedade s/n no bairro Piedade.

Vinda de diferentes grupos africanos praticando uma religião que acontece em espaços chamados de Ilê (casa, em yorubá), roça, egbé (comunidade, sociedade) ou terreiro. Mas não se misturam as casas para o culto aos Orixás e casas para culto aos Eguns são separadas. Podendo estar no mesmo terreno. A palavra Candomblé que acabou sendo a junção várias expressões religiosas africanas; Egbé Orun, Orixás, voduns, Nkises, Ifá e Egun. Vem de varias regiões da África e acontece de um culto ser conhecido numa região e desconhecido na outra ou feito de maneira diferente. Um fato importante todos devemos cuidar de Baba-egun, pois é o complemento do nosso santo.

O Egun é um morto, é um antepassado, do sexo masculino, importante para a família ou para sua comunidade. O que ele foi em vida será na morte.
Ainda sobre as diferenças entre este tipo de culto e o culto dos Orixás.
O Orixá se manifesta em uma pessoa. O Egun não incorpora. De
acordo com a tradição, o espírito, depois de disciplinado, recebe a roupa ritual, considerada sagrada e chamada de Eku na Nigéria e Opá no Brasil.

No Brasil a roupa é colorida, composta de várias tiras, adornada com muitos bordados e espelhos, que o Egun aparece no terreiro. O morto precisa apenas da roupa sagrada para voltar. Por isso costuma-se dizer entre os adeptos “onde está a roupa, aí está o Egun”.

Dentro da roupa, não tem nada à não ser a própria morte manifestada.
Nos terreiros tem importantes elementos das culturas africanas que são partilhados, aprendidos e ensinados por adultos e crianças (inclusive a língua yorubá).

O culto de Egun é secreto, cercado de mistérios e segredos. A confecção da roupa é mais um processo envolvido nessa rede de silêncios, tanto que ela é feita dentro do Igbó, ou Ilê awô – o quarto dos segredos. E para saber tem que ser pessoas que provaram sua confiança as pessoas do culto.

Ninguém entra, ninguém vê, só os Ojés. Para falar da Opá, a roupa sagrada, é preciso antes falar de Ikú, a morte. Segundo Santos, para o nagô, a morte não significa absolutamente a extinção total. A indumentária dos Babás só pode ser confeccionada pelos homens. As mulheres são proibidas de fazer o Opá e não podem sequer trabalhar em sua conservação. Aprender a fazer a Opá e aprende os segredos do culto.

Os Eguns continuam ligados aos Orixás que o morto tinha em vida e são
os Orixás que definem a cor e os detalhes de cada Opá. Assim, a roupa de um Egum de uma pessoa que era filho de Yemanjá será feita com coisas relativos a Iemanjá.

As comidas serão as mesma do orixá, mas tem diferenças. Todo o processo da confecção da Opá é considerado sagrado pelos membros do culto. E o sagrado começa desde retira o tecido da loja. A partir daí o Egum fica ao nosso lado enquanto fazemos a roupa e isso deve ser seriamente respeitado”. Sem a roupa o Egun não sai a hierarquia que existia em vida continua na morte. Os espíritos ainda não disciplinados são chamados de Aparaká e possuem uma vestimenta totalmente diferente. Apenas um pano colorido, quadrado, reto na frente e reto atrás. O Molungo é um espirito que não chegou a evoluir.

Quando a pessoa morre seu espírito primeiro ela vira Aparaká, pois está confuso e não consegue dizer quem é e não sabe se comunicar. Mas, passado o tempo necessário, ele é inserido no culto, ganha a roupa, um nome, que vai trazer das famílias africanas.

Pierre Verger, iniciado em orixá e Ifá. Falecido no ano de 1996, todos sabem de seu amor pelo Candomblé. Três anos depois de morto, o Egum de Verger ganhou uma roupa ofertado pela Mãe de Santo francesa Omindarewa, Gisele de Iemanjá.