Alexandre de Exu


Omidarewa

IYALORIXÁ  OMIDAREWÁ

Como é ser filho de santo dela. É uma experiência incrível pois minha mãe quando tinha saude e podia sempre foi uma pessoa muito a frente do tempo dela e contribuiu em muito para a formação dos filhos de santo dela. Tanto na parte espiritual, como na conduta na sociedade.

Sempre incentivou estudarmos e progredir na vida, pois dizia que o candomblé precisa de pessoa bem na sociedade, para poder defendê-lo dos preconceitos sociais.

Ela tem muitas teses, livros. Esteve na África várias vezes em busca de aprendizados que aqui não se encontrava mais. Lá ela é recebida pelas autoridades religiosas. Basta dizer que ela é nascida na África.

Quando lá cheguei, ele teve paciência de me ensinar, mostrar tudo o mundo do candomblé das folhas, das sementes (favas). Mais uma coisa deixo bem clara não apenas eu como todos. Hoje ela pela idade já não é a mesma pessoa que marcou todos nós.

Mais eu e meus irmãos de santo, onde quer que estejamos vamos sempre exalar esse hálito de Omidarewá. Ela foi e é tudo para nós.

Hoje lembro dos meus irmãos como; Alade, Zezé, André, Katioke, Akindele, Oluami, Gilwo, Rian, Toninho, Agbenbale Akinido, Omidewá, Efunxalá, Ester e outros muitos que podemos dizer em nosso tempo tivemos a sorte e a honra de ter um dos bons momentos de nossa mãe.

Quando ela viajava e voltava cheia de novidades para nós, eram fotos e histórias, que sempre vinha com muitos ensinamentos. Hoje podemos honrar nossa mãe passando aos nossos filhos de santo tudo aquilo que ela com paciência e calma, que não era muito a marca dela. Nos passou. E isso sempre vou fazer.

Meus filhos sempre poderão dizer, primeiro aprender. Pois assim que ele fez conosco. Ela era e ainda é uma pessoa detalhista, que faz questão dos detalhes. E observava.

Ela não foi apenas uma escola, ela foi para nós um curso profissionalizante, uma faculdade e muitas pós graduação.

Minha mãe é muito SHOW. Quando digo que foi e que hoje pela idade e os problemas de saúde não permitem ela, ser o que foi. Isso é muito mal para nós. Mais por sorte ela já havia passado muito para nos seus filhos, que agora vão multiplicando o legado dela.

Eu amo Iemanjá, santa da minha mãe. Quando vejo Iemanjá dançando é uma recordação tão doce de uma infância minha e de muitos de meus irmãos no candomblé. Chego chorar.


Minha mãe sabe que a amo, meus irmãos mais velhos e mais novos, bença e minha bença. Para vocês não sou pai de santo não sou nada além do irmão de todos. Sempre pronto a ajudar.
Eu que sou o primeiro Exu da casa da minha mãe. Isso nada muda. Embora Virgílio você é filho de Exu como eu, mais eu sou o primeiro. Mano, Beijo no seu coração. A todos os meus irmãos e irmãs meu beijo fraternal no coração de cada um. Axe ô.

Alexandre de Exu
Ògóbenga

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