Alexandre de Exu


A YIALORIXÁ E O BABALORIXÁ

 

No odu Ika vemos a ligação das abelhas  com os Olorixás  e as formigas com todo iniciado em orixá.

O orixá okô nos diz isso nestes odus Iká e Ogunda.

Ika as abelhas e os Zeladores.

Ogunda, os iniciados em orixás.

 

Com exceção do ser humano, qual o outro ser vivo trabalha muito e em equipe, vive em comunidade, produz diferentes tipos de materiais, constrói casa para milhares de iguais, e tem forte hierarquia e disciplina? São as abelhas.

 

A abelha trabalha duro e sem descanso, não para ela, mas para todas. Ela produz e ela constrói. Ela vive em harmonia com a natureza. A colméia é o grande emblema do resultado do trabalho da abelha, da sua capacidade de construir algo em prol de todos.  Como deve ser um zelador em prol de sua casa de santo.

 

A abelha é o ser construtor, assim como o baba e a Yia  são. Em Ika vemos as abelhas como símbolo das yialorixás e babalorixás.

 

A partir disso é fácil compreender como a colméia se tornou um símbolo do ancião. Numa aldeia oi ancião é a fonte de conhecimento. Um acervo vivo. Dai se falarmos meu velho e minha velha. Pois já viu e viveu muito e sabe.

 

“A Colméia é um emblema de indústria e operosidade. Ela nos ensina a prática dessas virtudes a todos os iniciados e orixás.

 

“Uma abelha e as formigas  tem sido, em todas as épocas e nações, o grande símbolo  pois superam todas as outras criaturas vivas na capacidade de criação e amplitude de sua habitação. Construir parece ser da própria essência ou natureza da abelha e das formigas”.

 

Enquanto em Ogunda vemos as formigas como símbolo dos filhos de santo. O trabalho na casa de santo é um Ebó.

 

 

Viemos ao mundo como seres racionais e inteligentes. Como tais, devemos sempre ser trabalhadores, jamais nos entregando à preguiça quando nossos companheiros necessitarem, se estiver em nosso poder auxiliá-los. ...Aquele que não buscar trazer conhecimentos e entendimento ao todo, merece ser tratado como um membro inútil da sociedade, indigno de ser uma Yiá ou Baba.

 

*Não existe no texto Yialorixá, pois não existe o sacerdócio feminino na África que é uma religião patriarcal.

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